terça-feira, 15 de novembro de 2016

Carreia das Índias

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      A Carreira das Índias, foi o nome dado a ligação marítima entre Lisboa e o Porto da Índia, se  tornando a maior rota de navegação. No entanto Salvador estava no caminho e era passagem obrigatória de todas as  embarcações que saiam da Índia e da África, pois os ventos favorecia esse acesso.  
     
      Devido a isso, foi de fundamental importância para os portugueses já que facilitava o comércio de escravos para o Brasil, o que possibilitava a apropriação de mão de obra barata para destinada a construção da cidade, o plantio, e até a produção de açúcar, já que no Brasil não se encontrava mais índios para realizar tais tarefas. Com isso o Porto de Salvador se tornou o mais importante devido a questões comercias e sua forma geográfica, tornando Salvador um dos maiores centros de distribuição de mercadorias, o que despertou o interesse de outras nações. 
     
Referências

TURCI, Érica. Império português – chegada às Índias: Vasco da Gama e o avanço comercial. Disponível em : http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/imperio-portugues---chegada-as-indias-vasco-da-gama-e-o-avanco-comercial.htm . Acessado em : 15/11/2016.

Salvador - Onde tudo começou

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      A cidade de Salvador foi descoberta em 1510, quando um navio francês naufragou na Baía de Todos os Santos, na região onde hoje está localizado o bairro do Rio Vermelho. Os únicos sobreviventes foram Diogo Álvares, o comandante e alguns marinheiros,  os quais conseguiram chegar a praia primeiro que Diogo Álvares, o que possibilitou que ele visse   de longe seus companheiros serem mortos pelos índios. No entanto Diogo ao chegar na praia foi aprisionado pelos indígenas ao contrário dos seus companheiros. Traz a história que sua pele alva despertou o interesse e admiração de Paraguaçu, uma jovem índia, filha do cacique. 

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          Devido a sua boa pontaria e possuidor de uma espigara, recebeu o nome de Caramuru, que quer dizer homem do fogo.  Assim, ele foi acolhido por uma tribo indígena. Por causa disso, Caramuru, foi de fundamental importância para a colonização do Brasil, pois facilitava a relação entre os primeiros colonizadores portugueses com os indígenas responsáveis pela tribo. Porém com saudades de sua terra, Caramuru e Paraguaçu embarcaram num navio em direção a França onde se casaram e sua esposa Paraguaçu foi batizada, recebendo o nome de Catarina Álvares Paraguaçu.

      Devido a sua  a forma geográfica  e as correntes marítimas da Baía de Todos os Santos que facilitava a exploração do pau-brasil,  Salvador foi  escolhida como capital do Brasil durante 214 anos, entre os anos  de 1549 e 1763. 

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     Salvador foi durante muitos anos a maior cidade das Américas, a qual se tornou o principal centro industrial de açúcar e comércio de escravos.  A cidade foi projetada por Tomé de Souza, seguindo as ordens do Rei D. João III de Portugal, para suportar os ataques inimigos, ou seja, uma fortaleza a qual muitas vezes conseguiu impedir a invasão de outros países interessados nas terras. 


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Uma das várias tentativas de Invasão Holandesa a Baía de Todos os Santos. 
      


      



      A cidade cresceu economicamente muito rápido devido o seu plantio do açúcar e as correntes marítimas que facilitava o acesso das grandes navegações e com isso o comércio de escravos chamando então atenção de outros países.
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     Mesmo depois da transferência da capital para o Rio de Janeiro, a Bahia continuou se destacando devido a sua importância na independência do Brasil em 1822, já que foi a Bahia que protagonizou uma das maiores lutas em prol da sua independência, a qual ocorreu um ano mais tarde em 2 de julho de 1823.

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Referências

MELLO, Mariana. Caramuru (Diogo Álvares Correia).  Disponível em: http://www.infoescola.com/brasil-colonia/caramuru-diogo-alvares-correia/ . Acessado em: 15/11/2016.

Brasil, minha pátria!, Theobaldo Miranda Santos, livro para a 3ª série escolar, Rio de Janeiro, Agir: 1954, p- 12-13

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Rua Antônio Monteiro dos Santos

         

          Para falar da Rua Antônio Monteiro dos Santos nada melhor do que a narrativa de uma moradora antiga da rua, uma pessoa que vivenciou todo o processo de  surgimento e melhoramento da mesma. 

             A entrevistada se chama Maria Regina (minha mãe), a qual reside nessa mesma rua a 54 anos. Para falar sobre a rua ela irá fazer uma viagem no tempo, através de uma narrativa da sua própria história de vida, como veremos logo abaixo.

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        Em 1986, a rua foi asfaltada, antes era só buraco e capim, era horrível,  não tinha luz e muito menos água encanada nem rede de esgoto, as pessoas iam buscar água na fonte. Ainda tem uma cisterna lá em baixo (Bom Juá), era a casa de um amigo de meus pais. 
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 Tinha o abatedouro de gado no Retiro (onde hoje é o Sesi), daqui dava para ver a boiada passando na BR, em 1960. Dizem que aqui era uma grande fazenda de um único dono.

         




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      Meu pai veio do interior (São Gonçalo dos Campos) através da estrada das boiadas, para trabalhar como porteiro de um cinema, pois não queria mais trabalhar na roça. Só voltou para o interior para se casar com minha mãe, em  1950, trouxe ela para morar aqui na cidade. Foram morar ali em frente ao quartel dos bombeiros na Baixa do Sapateiro, onde hoje tem a Casa de Angola. Só se mudaram para cá em  1960, quando no governo de Jânio Quadros, deu esse lote aqui, a maioria das pessoas era do interior. Eles fizeram a divisão do loteamento na ladeira da praça, meu pai ficava sempre na fila até que conseguiu o terreno aqui.

               Naquele tempo o ônibus ficava no Retiro, meus pais vinham pela BR no meio dos bois para construir a casa aqui na rua. Eles me traziam dentro da sacola um segurando em cada lado da alça, pois eu era muito pequena... eles vinham correndo dos bois. Aqui era muito mato, foi melhorando de uns 30 anos para cá. Quando ia para casa de minha tia no São Caetano e voltava andando de tarde na hora do boi (às 5 da tarde), minha mãe morrendo de medo me puxava e ficava chamando meu pai, olha o boi...  e meu pai só falava para não correr e ficava batendo a boca baixinho (acho que rezando), ai a gente entrava no mato e esperava a boiada passar, os bois estavam sempre de cabeça baixa... Mas depois de uns anos os bois começaram a vim de caminhão. 

            Depois de muitos anos colocaram o Fim de Linha aqui na Fazenda Grande do Retiro, lá na Gráfica, meu pai sempre reclamava pois andava muito para chegar no ponto, mas depois de muitos anos mudaram o Fim de Linha para mais perto.
http://www.culturatododia.salvador.ba.gov.br/polo/fazendagrande070907.jpg 
        

Antigo Final de Linha do bairro da Fazenda Grande do Retiro.
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Atual Final de Linha do bairro Fazenda Grande do Retiro.


      

      
          Quando colocaram a luz aqui na rua foi mais ou menos em 1967, eu ainda era menina, a água foi antes disso.

          A  Gráfica eu não me lembro quando fez, mas deu muito trabalho ao pessoal do bairro, até hoje, foi bom por isso... até estágio eles dão para os jovens. A Gráfica não cedeu para fazer um campo de futebol, uma área de lazer e nem para a construção da Igreja Católica... Eu me lembro que teve uma missa festiva para comemorar o terreno cedido para a construção da igreja, eles até cercaram com arrame, mas depois a Gráfica voltou atrás. O povo sempre falava do espaço que não era usado, então eles fizeram aqueles dois galpões grandes que nem sei para que serve.

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             Já a fábrica de vassoura também deu muito emprego para o povo daqui, mas não sei por que fechou, no lugar estão construindo a tal praça de lazer, começaram as obras, mas tem uns dois anos que pararam a construção e tá tudo inacabado. A gente queria um posto de emergência, mas devido a Upa da San Martins eles não concordaram e fizeram a Praça da Juventude... Gastou o dinheiro do município para fazer aquilo ali que nem terminaram, uma loucura, a população nem usa por que ficou escondido e faz medo. 


       Mas a Fazenda Grande do Retiro cresceu muito desde que vim morar aqui, antes não tinha nada.

Surgimento do Bairro da Fazenda Grande do Retiro

         Onde hoje está localizado o bairro da Fazenda Grande do Retiro, fazia parte de uma grande fazenda, a do Senhor Justino, a qual na década de 40 toda a área foi loteada em pequenos lotes de terra, acolhendo na grande maioria migrantes do interior  da Bahia, mas também moradores de baixa-renda de Salvador. A procura e interesse dessa população de migrantes por um pedaço de terra nessa redondeza foi devido o bairro da Fazenda Grande Retiro, fazer paralelo com a BR 324.

       Estrada a qual era conhecida como estrada das boiadas, principal local de entrada e saída de migrantes do interior da Bahia, um exemplo de migrantes foi meus avós que vieram andando do interior São Gonçalo dos Campos, próximo a Feira de Santana, em buscar de uma vida melhor aqui na cidade grande. Além de muitos donos de gados que traziam seus rebanhos para os abatedouros que se localizava no bairro do Retiro, liberdade, entre outros bairros de Salvador.

       A Fazenda Grande do Retiro é considerada um bairro periférico, composta por uma população na sua maioria mestiça e negra. O bairro possui poucas opções de lazer para os moradores, mas tem um comércio muito forte, os quais emprega boa parte da população local, além disso, o bairro ainda possui uma grande empresa, EGBA – Empresa Gráfica da Bahia, a qual foi instalada em 1972, e desde da sua instalação empregou uma grande quantidade de moradores do bairro, ou seja, a empresa se preocupou não só com a economia local, mas também com a população que ali reside. 
          

          No entanto, durante anos a população questionou sobre a liberação de uma parte do espaço da Egba, para construção de uma área de lazer, pois o espaço que gira em torno de 40 mil metros quadrados só possui 8 mil de área construída. Apesar de várias tentativas da comunidade nada foi cedido.

       A empresa, que se isola do bairro através dos seus grandes muros, possui um campo de futebol com dimensões oficiais, parque infantil, biblioteca e quadra esportiva, porém o acesso é restrito a funcionários e outros poucos moradores do bairro.


       Devido as grandes reivindicações dos moradores do bairro da Fazenda Grande do Retiro, a Egba, iniciou no ano de 2014, a construção de um centro de lazer na área da antiga fábrica de vassouras. 

        O projeto trazia que no local abrigaria, um campo de futebol, quadras  poliesportivas, parque infantil, pista de corrida, pista de skate, galpão cultural, além de uma biblioteca e salas de aulas. 

    No entanto as obras foram iniciadas, mas devido a problemas com a licitação das empresas terceirizadas as obras se encontram suspensas. 


         E hoje em dia sem fiscalização, e com as obras paradas, a Praça da Juventude, cedeu espaço para o desperdiço de água, lixo e a marginalização. Com isso até hoje a população não conseguiu desfrutar desse espaço de lazer. 



Referências:


EGBA.  Praça da Fazenda Grande do Retiro começa a ser construída com recursos da Egba. Disponível em: http://www.egba.ba.gov.br/2014/09/69/Praca-da-Fazenda-Grande-do-Retiro-comeca-a-ser-construida-com-recursos-da-Egba.html Acessado em: 14/11/2016.

REDAÇÂO VN. Com obras atrasadas, praça vira ponto de tráfico e prostituição em Fazenda Grande. Disponível em: http://varelanoticias.com.br/com-obras-atrasadas-praca-vira-ponto-de-trafico-e-prostituicao-em-fazenda-grande/ . Acessado em: 14/11/2016.



segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A Estrada das Boiadas

    Com o aparecimento de novas terras ao redor da primeira Capital do Brasil e consecutivamente o crescimento do comércio, os morados das cidades vizinhas, caminhavam horas e dias afins para poder comercializar seus produtos e cabeças de gados, já que o foco do comércio estava no Porto de Salvador e os abatedouros também.

    Devido a isso, os criadores de gados e outros comerciantes sempre vinham para Salvador, através do mesmo percurso. Saiam das imediações onde hoje está localizada a cidade de Feira de Santana, passavam pelo bairro de Pirajá, para descer para  a Areia do Canto da Cruz, a caminho do Retiro, local onde estava localizado boa parte dos abatedouros de gados. Além disso, era o caminho para entrada e saída de mercadorias que chegavam no porto de Salvador para abastecer a capital e cidades vizinhas. Nesse período a Estrada das Boiadas ficou conhecida como a principal ligação entre o Recôncavo baiano e a cidade de Salvador. 

A Estrada das boiadas era uma estrada de areia com barro, a qual servia de passagem de bois. 



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