Para falar da Rua Antônio Monteiro dos Santos nada melhor do que a narrativa de uma moradora antiga da rua, uma pessoa que vivenciou todo o processo de surgimento e melhoramento da mesma.
A entrevistada se chama Maria Regina (minha mãe), a qual reside nessa mesma rua a 54 anos. Para falar sobre a rua ela irá fazer uma viagem no tempo, através de uma narrativa da sua própria história de vida, como veremos logo abaixo.
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Em 1986, a rua foi asfaltada, antes era só buraco e capim, era horrível, não tinha luz e muito menos água encanada nem rede de esgoto, as pessoas iam buscar água na fonte. Ainda tem uma cisterna lá em baixo (Bom Juá), era a casa de um amigo de meus pais.
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Tinha o abatedouro de gado no Retiro (onde hoje é o Sesi), daqui dava para ver a boiada passando na BR, em 1960. Dizem que aqui era uma grande fazenda de um único dono.
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Meu pai veio do interior (São Gonçalo dos Campos) através da estrada das boiadas, para trabalhar como porteiro de um cinema, pois não queria mais trabalhar na roça. Só voltou para o interior para se casar com minha mãe, em 1950, trouxe ela para morar aqui na cidade. Foram morar ali em frente ao quartel dos bombeiros na Baixa do Sapateiro, onde hoje tem a Casa de Angola. Só se mudaram para cá em 1960, quando no governo de Jânio Quadros, deu esse lote aqui, a maioria das pessoas era do interior. Eles fizeram a divisão do loteamento na ladeira da praça, meu pai ficava sempre na fila até que conseguiu o terreno aqui.
Naquele tempo o ônibus ficava no Retiro, meus pais vinham pela BR no meio dos bois para construir a casa aqui na rua. Eles me traziam dentro da sacola um segurando em cada lado da alça, pois eu era muito pequena... eles vinham correndo dos bois. Aqui era muito mato, foi melhorando de uns 30 anos para cá. Quando ia para casa de minha tia no São Caetano e voltava andando de tarde na hora do boi (às 5 da tarde), minha mãe morrendo de medo me puxava e ficava chamando meu pai, olha o boi... e meu pai só falava para não correr e ficava batendo a boca baixinho (acho que rezando), ai a gente entrava no mato e esperava a boiada passar, os bois estavam sempre de cabeça baixa... Mas depois de uns anos os bois começaram a vim de caminhão.
Depois de muitos anos colocaram o Fim de Linha aqui na Fazenda Grande do Retiro, lá na Gráfica, meu pai sempre reclamava pois andava muito para chegar no ponto, mas depois de muitos anos mudaram o Fim de Linha para mais perto.
Antigo Final de Linha do bairro da Fazenda Grande do Retiro.
Atual Final de Linha do bairro Fazenda Grande do Retiro.
Quando colocaram a luz aqui na rua foi mais ou menos em 1967, eu ainda era menina, a água foi antes disso.
A Gráfica eu não me lembro quando fez, mas deu muito trabalho ao pessoal do bairro, até hoje, foi bom por isso... até estágio eles dão para os jovens. A Gráfica não cedeu para fazer um campo de futebol, uma área de lazer e nem para a construção da Igreja Católica... Eu me lembro que teve uma missa festiva para comemorar o terreno cedido para a construção da igreja, eles até cercaram com arrame, mas depois a Gráfica voltou atrás. O povo sempre falava do espaço que não era usado, então eles fizeram aqueles dois galpões grandes que nem sei para que serve.
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Já a fábrica de vassoura também deu muito emprego para o povo daqui, mas não sei por que fechou, no lugar estão construindo a tal praça de lazer, começaram as obras, mas tem uns dois anos que pararam a construção e tá tudo inacabado. A gente queria um posto de emergência, mas devido a Upa da San Martins eles não concordaram e fizeram a Praça da Juventude... Gastou o dinheiro do município para fazer aquilo ali que nem terminaram, uma loucura, a população nem usa por que ficou escondido e faz medo.
Mas a Fazenda Grande do Retiro cresceu muito desde que vim morar aqui, antes não tinha nada.